PROCESSO ORÇAMENTÁRIO EM CLUBES DE FUTEBOL

Na história do esporte, existem casos de equipes montadas com grandes investimentos que não conseguiram atingir os seus objetivos¹. Por isso, os gestores das entidades desportivas devem se adequar às premissas deste mercado singular. Os investimentos devem estar de acordo com as condições financeiras do clube. A eficiência dos gastos dos clubes só se dará com organização financeira aliada ao bom trabalho do clube dentro de campo.

Nesse sentido, a aprovação do PROFUT exigiu a profissionalização da gestão nos clubes de futebol brasileiros, que passaram a cumprir alguns requisitos mínimos para refinanciamento de dívidas ². Ademais, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou a Resolução nº 01/2017, que visa penalizar os clubes de futebol com práticas de fair-play financeiro, o qual é identificado quando um clube investe valores que são maiores do que a capacidade de arrecadação financeira ³.

Para tanto, o orçamento pode servir como aliado na medição da eficiência de aplicação dos investimentos no esporte. Assim, pode ser útil para que uma organização consiga conciliar os objetivos potencialmente conflitantes. O orçamento também ajuda em aumentar o rigor sobre a assunção de responsabilidades, garantindo que os gestores permaneçam empenhados em alcançar as metas organizacionais.

Ao considerar a importância do orçamento na consecução dos objetivos estratégicos das organizações, o desequilíbrio financeiro dos clubes e, sobretudo, os incentivos às boas práticas criados nos últimos anos, objetivamos descrever o processo orçamentário utilizado em três clubes de futebol com nível de arrecadação financeira emergente.

Como resultado, o processo de elaboração do orçamento em clubes de futebol pode ter sido motivado recentemente, visto que nas entidades pesquisadas se iniciou este processo entre meados de 2016 e 2017. Esse fator pode ser prejudicial para o alcance da eficiência na execução do orçamento. Constatou-se, também, que o orçamento não é vinculado a um sistema de recompensa por parte dos responsáveis pela consecução das metas, que são revisadas periodicamente em todos os clubes pesquisados.

Além disso, um fator importante observado é que os clubes que estabeleceram a possibilidade de revisão das metas, inseriram um limite de variação das receitas e despesas, fator que impossibilita mudanças significativas no orçamento. Por fim, clubes de futebol ainda estão delimitando a utilização do orçamento ao alcance das metas sem ênfase nos relacionamentos interpessoais.

Sugere-se que os clubes de futebol ainda têm um longo caminho para evoluir no processo de elaboração, execução e avaliação do orçamento, principalmente, no que se refere a avaliação de desempenho, programas de incentivos, motivação de colaboradores e pela implementação de normas sociais.

A contribuição prática deste estudo versa em apontar que o orçamento pode ser amplamente utilizado pelos clubes de futebol como um mecanismo que busca equilibrar os investimentos financeiros com o rendimento esportivo do clube. Sabe-se que ainda é preciso que criem uma maturidade de processo orçamentário que consigam promover uma articulação entre as metas financeiras e os relacionamentos interpessoais.

*O artigo resultante da pesquisa será publicado na Revista Enfoque: Reflexão Contábil. Poderá ser acessado na integra por meio do link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/Enfoque/article/view/45867/751375150622

*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Cristian Baú Dal Magro, Professor do curso de Ciências Contábeis da Unochapecó; Igor Pereira da Luz, Professor do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Estácio de Sá e Faculdade Energia; e Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina*

REFERÊNCIAS

¹ – DANTAS, Marke Geisy; BOENTE, Diego Rodrigues. A utilização da análise envoltória de dados na medição de eficiência dos clubes brasileiros de futebol. Contabilidade Vista & Revista, v. 23, n. 2, p. 101-130, 2013.

² – BDO, RCS Auditores Independentes. 10º Valor das marcas dos clubes brasileiros. Recuperado em 08 fevereiro, 2018, de https://www.bdo.com.br/getattachment/ Publicacoes/Noticias-em- estaque/9%C2%BA–Valor-das-marcas-dos-clubes-brasileiros/Valor-das-Marcas-2017.pdf.aspx?lang=pt–BR&ext=.pdf&disposition=attachment.

³ – CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Resolução nº 01/2017 que instituiu o regulamento para o licenciamento de clubes, de 2018 a 2021.

Publicado por Thiago Bruno de Jesus Silva

Professor • Pesquisador • Gestão, Cooperativismo e Educação Financeira

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