A estratégia (comportamento estratégico) oferece explicação de como as organizações se comportam em seu ambiente, de como respondem aos problemas e como buscam soluções 1. Nesse contexto, discutimos duas estratégias (prospectora e defensora) propostas por Miles e Snow em 1978 2.
A estratégia prospectora se caracteriza pela busca acentuada de mercado e inovação de produtos e processos; a defensora corresponde a domínios restritos de mercado e produtos, o que possibilita maior atenção à eficiência 3. Dessa forma, ambas estão em extremos opostos.
A relação entre essas estratégias e o Sistema Controle Gerencial (SCG) é uma preocupação na literatura da contabilidade gerencial. Os Sistemas de Controle Gerencial consistem em mecanismos que fornecem informações para manter ou modificar os padrões da gestão organizacional. Simons, em 1995, apresentou um Modelo (Alavancas) de SCG, formado pelo Sistema de Crenças, de Restrições, Diagnóstico e Interativo. 4
O sistema de crenças, conjunto explícito de definições que os gestores comunicam e reforçam sistematicamente para fornecer valores básicos, propósito e direção à organização. Sistema de restrições, indica regras e limites de comportamento aceitos na organização. Sistema diagnóstico, busca motivar os funcionários a realizar e alinhar seu comportamento aos objetivos organizacionais. Sistema interativo proporciona o diálogo ativo entre os membros da organização com vistas na discussão das formas de posicionamento estratégico. 5
A integração das quatro é essencial no controle da estratégia, visto que seu poder não reside em como cada uma é usada individualmente. O estudo apresenta evidências de que esses SCGs se combinam para organizações que operam em diferentes contextos estratégicos.6 Buscamos entender as especificidades das cooperativas como elemento diferenciador da relação.
Resumindo a história
O objetivo deste estudo consistiu em identificar as combinações dos sistemas de controle gerencial usadas em diferentes comportamentos estratégicos adotados por 100 cooperativas agroindustriais do setor lácteo da região Sul do Brasil. Como resultado, as essas cooperativas usam diferentes combinações de controle de acordo com o comportamento estratégico adotado.
As cooperativas com comportamento estratégico defensor usam principais práticas dos sistemas de controle diagnóstico, que compreendem controles contábeis, combinadas com sistemas de limites, que envolvem preocupação com a estratégia e riscos comportamentais para que sejam reconhecidos e abordados nos seus códigos de conduta por domínios restritos de mercado e produtos, com maior atenção à eficiência.
As cooperativas com comportamento prospector, usam de forma preponderante práticas dos sistemas de limites, que implica controle rígido para assegurar eficiência, e práticas dos sistemas de controle interativo (central), que buscam explorar novos produtos e oportunidades, e que são frequentemente combinadas com outras práticas, de modo que fazem varredura do ambiente para identificar novas áreas e desenvolver mecanismos para impedir que concorrentes adentrem em seu território
Contribuição para o campo prático
As cooperativas agroindustriais pesquisadas precisam ser competitivas para enfrentar os desafios que se apresentam e responder às mudanças na estrutura e no cenário da concorrência para manter sua posição no mercado. O estudo propicia informações relevantes sobre o processo de gestão com vistas na continuidade dos negócios, já que os sistemas de controle gerencial fornecem informações que permitem a coordenação das atividades.
Desta forma, as evidências dessa pesquisa podem contribuir para que os gestores compreendam qual combinação dos Sistemas de Controle Gerencial é mais adequado ao comportamento estratégico adotado pela cooperativa.
*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Ilse Maria Beuren, Professora do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Januário José Monteiro, Doutorando em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)*
*O artigo resultante da pesquisa será publicado na Review of Business Management. Se você tiver alguma dúvida sobre a publicação, não hesite em nos contatar.*
REFERÊNCIAS
1 – Chan, A.T., Ngai, E.W., & Moon, K.K. (2017). The effects of strategic and manufacturing flexibilities and supply chain agility on firm performance in the fashion industry. European Journal of Operational Research, 259(2), 486-499.
2 – Miles, R.E., Snow, C.C., Meyer, A.D., & Coleman Jr, H.J. (1978). Organizational strategy, structure, and process. Academy of Management Review, 3(3), 546-562.
3 – Walker, R.M. (2013). Strategic management and performance in public organizations: findings from the Miles and Snow framework. Public Administration Review, 73(5), 675-685.
4 – Simons, R. (1995). Levers of control: How managers use innovative control systems to drive strategic renewal. Harvard Business School, Boston.
5 – Widener, S.K. (2007). An empirical analysis of the levers of control framework. Accounting, Organizations and Society, 32(7-8), 757-788.
6 – Müller-Stewens, B., Widener, S.K., Möller, K., & Steinmann, J.C. (2019). The role of diagnostic and interactive control uses in innovation. Accounting, Organizations and Society, Article in press 101078.
