Muitas empresas aderiram ao orçamento flexível, com predomínio em revisões trimestrais e mensais. Estas empresas aprovam o uso do orçamento flexível, por ser considerado mais útil para adaptar as as constantes mudanças 1. O orçamento flexível oferece maior facilidade para a empresa lidar com as necessidades informacionais e com a elaboração e revisão do planejamento estratégico 2.
Ekholm e Wallin (2011) agruparam o orçamento em duas utilidades: (a) o orçamento como utilidade de planejamento (planejamento, coordenação, alocação de recursos e determinação dos volumes operacionais) e (b) o orçamento como utilidade de diálogo (comunicação, criação de consciência, motivação) 3.
Acredita-se que diferentes prioridades emergem de acordo com a utilidade do orçamento, as quais podem ser úteis por razões operacionais e na busca de novas oportunidades 4. O estudo pressupõe que a utilidade de planejamento do orçamento conduz à consecução das metas organizacionais. Já o orçamento com utilidade de diálogo permite discussão mais dinâmica nos ambientes de incerteza.
Resumindo a história
O objetivo deste estudo consistiu em identificar a relação entre a elaboração do orçamento pelo tipo fixo e/ou flexível e as utilidades agrupadas no planejamento e diálogo em 101 gestores pertencentes a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – ASSESPRO.
Como resultado, a maioria das empresas adere o orçamento na periodicidade anual. Este estudo oferece evidências de que as utilidades do orçamento são úteis, o que independe do tipo de elaboração do orçamento. A elaboração do orçamento pelo tipo fixo ou flexível é idêntica na utilidade para de planejamento. Contudo, a utilidade do orçamento para as utilidades de diálogo ocorre nas empresas que elaboram o orçamento flexível.
Nesse sentido, existe diferença na utilidade para o diálogo entre as organizações que elaboram o orçamento de maneira flexível. Logo, diferentes prioridades emergem para cada tipo de orçamento, o que faz considerar razões operacionais e a busca por novas oportunidades. O resultado permite supor, também, que as organizações da amostra podem utilizar o orçamento fixo e flexível de forma mútua, de modo que algumas utilidades podem ser idênticas e exclusivas de acordo com o tipo do orçamento.
Contribuição para o campo prático
O estudo indica que as organizações percebem que há exclusividade de utilidade do orçamento de acordo com o tipo do orçamento. Os diferentes tipos de orçamento não podem ser vistos como rivais na implementação eficiente e eficaz dos recursos organizacionais (utilidades de planejamento), mas, o orçamento flexível tem sido mais útil às organizações para fomentar o diálogo, o debate organizacional, a motivação, para incentivar o intercâmbio de informações, contribuir com a disseminação de conhecimento, distribuição e comunicação de informações e com o surgimento de ações estratégicas (utilidades do diálogo).
*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Cristian Baú Dal Magro, Professor da Unochapecó; Marília Paranaíba Ferreira, doutoranda em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Antonio Carlos Vaz Lopes, Professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); e Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)*
*O artigo resultante da pesquisa foi aprovado e apresentado no XIV Congreso Iberoamericano de Control de Gestión. Se você tiver alguma dúvida sobre a publicação, não hesite em nos contatar.*
REFERÊNCIAS
1 – Bhimani, A., Sivabalan, P., & Soonawalla, K. (2018). A study of the linkages between rolling budget forms, uncertainty and strategy. The British Accounting Review, 50(3), 306-323. DOI: https://doi.org/10.1016/j.bar.2017.11.002
2 – Hansen, S. C., & Van der Stede, W. A. (2004). Multiple facets of budgeting: an exploratory analysis. Management accounting research, 15(4), 415-439. DOI: https://doi.org/10.1016/j.mar.2004.08.001
3 – Ekholm, B. G., & Wallin, J. (2011). The impact of uncertainty and strategy on the perceived usefulness of fixed and flexible budgets. Journal of Business Finance & Accounting, 38(1‐2), 145-164. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1468-5957.2010.02228.x
4 – Simons, R. (1995). Levers of control: How managers use innovative control systems to drive strategic renewal. Harvard Business School, Boston.
