O livro aborda a ascensão e a queda do empresário Eike Batista e do seu grupo X. Após ler metade do livro em menos de 5 dias (o livro possui 508 páginas, divididos em mais de vinte capítulos), posso te dizer que o livro vale cada centavo que eu gastei nele.
A Malu Gaspar escreveu um livro com característica de um filme policial/ação. É um estilo de escrita que prende o leitor, sempre na espera do que poderá acontecer em cada capítulo.
No livro, encontramos fotografia do submundo do mercado financeiro brasileiro, investigação sem par sobre as relações promíscuas entre empresários e políticos e a vida pública de um homem cuja megalomania resultou em dezenas de milionários.
Todo o enredo é construído a partir de depoimentos de personagens que apenas a Malu teve acesso, documentos restritos e diálogos com pessoas próximas ao Eike.
Frases de outdoor
| Vocês são o topo de cadeia alimentar! | A maior parte dos países não aceitava oferecer a investidores planos ainda no papel. Depois de muita discussão, a CVM concordou em autorizar o IPO |
| Inventara um expediente polêmico: o empréstimo pré-IPO, que embelezava o balanço das empresas para sua estreia na bolsa, mas sufocava as finanças depois, prejudicando o retorno aos investidores | Quem não o acompanhasse em suas apostas era um calça-curta, um moleque incapaz de vencer num mundo de gente grande |
| O sucesso da MMX na bolsa chamara a atenção também dos políticos. Com intermediários de todos os partidos batendo à porta do grupo atrás de contribuições, Eike começou a pensar em financiar campanhas. | Governador Sergio Cabral – um grande parceiro naquele negócio, não apenas liberando as licenças estaduais em tempo hábil como também fazendo um eficiente lobby junto ao presidente Lula para que as autorizações que dependiam do governo federal saíssem |
| Em outubro de 2008 Eike ganhou o incômodo título de campeão de multas não pagas por desmatamento no Pantanal, mas foi recebido com festa no Ministério do Meio Ambiente pelo ministro Carlos Minc. | Todos os projetos X eram apenas isso, projetos. Eram muitos, caros e de longo prazo […] durante toda a sua carreira Eike procedera dessa maneira. Na única vez em que quis ser ele mesmo o operador, a coisa desandou |
| A OGX, que ainda não produzira gota de óleo, mas que era bem-sucedida na bolsa em grande parte pela confiança dos investidores no talento de se corpo técnico | Quando os detalhes da agonia dos britânicos começaram a vazar, circulou no mercado, por exemplo, a piada de que a auditoria da Anglo sobre a MMX fora feita por um cego |
| Tinha então quatro empresas com ações em bolsa que nada produziam, mas que desfrutavam de valorizações espetaculares | A CVM parecia peça de museu. Processos em papel, muito trabalho para poucos técnicos e uma penúria crônica – faltava dinheiro para táxi e até para toner para impressoras – tornavam a autarquia uma engrenagem lenta, que levava em média dois anos até julgar um processo |
| Estava tão empolgado que mandara fazer um mapa astral da modelo – para verificar se havia compatibilidade entre eles | Os investidores precisavam de boas notícias. Tratou, então, de gera-las em série, independentemente de serem concretas. Se o mercado o desafiava, ele colocava mais fichas na mesa. |
| É um relatório Benjamin Button, já nasceu velho | Thor, de 19 anos, que abandonara recentemente o curso de economia no Ibmec, por acha-lo muito puxado. O pai não se importara. Ele mesmo não havia terminado a faculdade e aquilo nunca lhe fizera falta. |
| O maior porta-voz do discurso do empreendedorismo puro, igualava-se aos pares que tanto criticara pelo velho recurso de bater à porta do governo | O ex-presidente falara a pelo menos um outro bilionário – com quem dividia mesas de almoço – que resgatar Eike era importante até para a imagem do Brasil, uma vez que ele assumira a posição de ícone do novo capitalismo brasileiro |
| E repetiu seu mais novo bordão: se ninguém me quer, eu me quero | Muitos tinham perdido todas as suas economias. Gente que juntara dinheiro para comprar um imóvel, para pagar os estudos dos filhos ou até mesmo sustentar a aposentadoria – e que decidira aplicar tudo no sonho multiplicador propagandeado por Eike. |
| Ainda frequentava os mesmos restaurantes. Os filhos ainda gastavam milhares de reais em uma única noitada e mantinham os luxos. Só procuravam ser mais discretos. | Depois daquela derrocada acachapante, ainda tivesse forças para se apresentar a investidores e pedir-lhes que injetassem dinheiro – mais precisamente 1 bilhão de dólares – à tentativa de reerguer as empresas que ainda controlava. Os amigos chamavam de resiliência. Os detratores, de cara de pau. |
Vejo o livro com papel importante para entender a dinâmica que envolve a construção de um mito, a sua prepotência, egocentrismo, manipulação, viagens luxuosas, bebedeiras homéricas e comilanças, bem como acompanhar a criação e desenrolar dos projetos.
Em breve, vou ler novamente!
