A Professora Sophie Tessier e o Professor David Otley1 desenvolveram uma estrutura revisada das Alavancas de Controle do Robert Simons (anteriormente apresentada aqui). A estrutura proposta separa as intenções dos gerentes e as percepções dos colaboradores.
A estrutura revisada apresenta os seguintes níveis:
- Tipos de controle (centro da estrutura);
- Sistemas de controle (segundo nível); e
- Intenções gerenciais (terceiro nível)

Tipos de controle (centro da estrutura)
Para o controle individual dos colaboradores, os gerentes possuem os controles sociais e técnicos disponíveis.
| Controles sociais são definidos como controles que apelam para os elementos emocionais, não racionais e afetivos dos colaboradores, são constituídos de valores centrais, crenças e normas. |
| Os controles técnicos são definidos como controles que especificam como as tarefas que devem ser executadas e como os indivíduos/grupos são organizados, baseados em regras, procedimentos e padrões. |
Sistemas de Controle (segundo nível)
Diferentes sistemas de controle que possuem objetivos específicos. Esses sistemas colaboram para os controles sociais e técnicos dos colaboradores. Os sistemas de controle gerencial são definidos como sistemas, regras, práticas, valores e outras atividades geridas para orientar o comportamento dos colaboradores.
Dois sistemas de controle preocupados com o desempenho (lado esquerdo da estrutura).
No nível estratégico, concentra-se em incertezas estratégicas. Busca monitorar se a organização possui a estratégia adequada para garantir a obtenção de sua visão. O seu papel é sinalizar a necessidade de revisão da estratégia.
Performance operacional se concentra em supervisionar o que a organização deve fazer bem para alcançar a sua meta (preocupação com o desempenho em nível operacional).
Os limites (lado direito da estrutura) são definidos como os conjuntos de controles que informam os colaboradores sobre o domínio aceitável de busca de oportunidades. Esses conjuntos de controles se preocupam em estabelecer limites no nível estratégico da organização.
Um exemplo dado pela autora e autor foi uma organização que tinha um sistema de semáforo, no departamento de P&D, que informava aos colaboradores se deveriam prosseguir com um projeto (verde), colocar o projeto em espera (amarelo) ou abandonar o projeto (vermelho).
Intenções Gerenciais (terceiro nível da estrutura)
As intenções representam o terceiro nível da estrutura. Assim, explicam as escolhas que os gerentes podem fazer em relação aos sistemas de controle.
As intenções podem:
- Decidir se o controle terá o foco principal de promover a discussão e o aprendizado (uso interativo) e qual será observado se houver algum desvio (uso diagnóstico);
- Decidir se o controle será usado de uma maneira que promova a criatividade (habilitação) ou de uma maneira que garanta previsibilidade (restrição)
- Decidir quais serão as consequências (ou seja, recompensas/punições) da realização (ou não realização) dos requisitos de desempenho e conformidade
A estrutura completa
Estes sistemas de controle não operam de forma separada. A sinergia é possível. Como vimos, são elementos dos quais os gerentes têm influência.
Após projetar os sistemas de controle, os gerentes podem decidir como apresentá-los. Tomar a decisão sobre como se comunicar com os colaboradores, como os canais utilizados (e-mails, documentos oficiais, apresentação em vídeo, apresentação presencial, reuniões presenciais) e o próprio conteúdo da mensagem (informações a serem fornecidas sobre o assunto) – controle, nível de linguagem utilizada.
Benefícios
- A estrutura reconhece o fato que um controle específico pode ter mais de um objetivo (desempenho e conformidade);
- Pode ser usado em diferentes níveis organizacionais (operacionais e estratégicos);
- Considera diferentes tipos de controles (sociais e técnicos);
Armadilhas a serem evitadas
- Os controles sociais e técnico possuem relação (não são substitutos). Os controles sociais influenciam, uma vez que os controles técnicos seguem as crenças e normas de comportamento da organização. Controles técnicos podem auxiliar a racionalizar os componentes sociais (elementos emocionais, não racionais e afetivos).
- A estrutura inclui gerentes (intenção gerencial) e colaboradores (percepção) para enfatizar o fato de que esses dois grupos de indivíduos podem não avaliar os controles da mesma maneira.
- A percepção do controle determina a atitude dos colaboradores. Ou seja, se a atitude é positiva, neutra ou negativa.
Conclusão
A estrutura revisada espera ser útil para ter uma visão mais holística da organização. Segundo a autora e autor, foram identificadas ambiguidades em relação à estrutura do das Alavancas de Controle. Para cada ambiguidade, uma solução foi proposta. Por fim, o estudo introduziu dois grupos de atores, gestores (intenção gerencial) e colaboradores (percepção) e focou principalmente no primeiro.
Referências
1 – Tessier, S., & Otley, D. (2012). A conceptual development of Simons’ Levers of Control framework. Management accounting research, 23(3), 171-185.
