DUAS FORMAS DE USO DO ORÇAMENTO QUE AFETAM O EMPODERAMENTO E A CRIATIVIDADE DOS GERENTES

Para muitas organizações, a criatividade dos seus colaboradores é um fator crítico para o sucesso a longo prazo. Elas enfrentam um grande dilema, no qual a produção criativa requer um uso substancial de controle, mas o próprio controle pode minar a criatividade dos indivíduos. Ao saber que o comportamento, que vai de encontro ao desejado, pode atrapalhar a estratégia, o controle é essencial para efetivamente regular o comportamento.

A literatura na área de controle gerencial entende que a forma como o controle pode ser visto pelos colaboradores é que afeta o seu comportamento. Ou seja, pode ser percebido para comunicar restrições e limites e se eles acreditam que possuem o poder de determinar suas próprias escolhas durante o desenvolvimento da atividade. Nesse contexto, pode permitir uma sensação de empoderamento, o que é entendido que suas escolhas e expectativas podem guiar os seus esforços.

Entendemos que o orçamento possui duas formas para ser usado. Pode ser usado como controle diagnóstico, no qual garante que a organização está no caminho certo para atingir os seus objetivos pretendidos. E também pode ser usado como controle interativo, que é visto para garantir que as informações e preocupações da alta administração sejam compartilhadas de forma vertical.

Dessa forma, seguimos o argumento que o controle gerencial pode não ser percebido como uma restrição negativa pelo time de colaboradores, mas como um desafio que apresenta um problema interessante que motiva pensar em soluções inusitadas dentro do seu curso de ação.

Resumindo a história

Propomos verificar a influência das formas de uso do orçamento no sentimento de empoderamento e na criatividade de 100 gestores de organizações brasileiras da área de tecnologia da informação – ASSESPRO – Assespro regional (São Paulo, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, Brasília).

Concluímos que as formas de uso do orçamento (diagnóstica e interativa) influenciam no sentimento de empoderamento e na criatividade. Ao usar a lente teórica da Teoria da Autodeterminação, o orçamento pode exercer estímulos de ação para influenciar o comportamento intencional dos colaboradores. Essa constatação é confirmada pelo fato de que o uso diagnóstico aumenta a sensação de empoderamento e também da criatividade. O uso interativo do orçamento precisa ser associado a criatividade para gerar sentimento de empoderamento, e o contrário também ocorre.

Contribuição para o campo prático

Com esses resultados, enfatizamos a importância do uso do controle diagnóstico e interativo no contexto das organizações de tecnologia da informação para apoiar o empoderamento e a criatividade dos colaboradores. Vale ressaltar que o uso simultâneo aumenta o empoderamento e a criatividade para atingir a estratégia da organização e, de forma consequente, desenvolve o aparecimento de ideias para resolução de problemas e experimentação.

Nessa perspectiva, torna-se desnecessário fazer uma escolha entre ter um ambiente que estimula a criatividade e o controle adequado. Com a implementação das formas de uso do orçamento, cria ambiente rico em informações, o que é propício ao pensamento criativo e, de forma concomitante, mantem o controle da organização.

A pesquisa foi fruto da minha colaboração com Cristian Baú Dal Magro, Professor da Unochapecó; Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Rafael Ferla, Professor da Unidade Central de Educação Faem Faculdade.

O artigo foi publicado na Revista Contaduría y Administración. Se você tiver interesse de lê-lo na íntegra, você pode acessá-lo por meio do link:

http://www.cya.unam.mx/index.php/cya/article/view/3161/1962

Publicado por Thiago Bruno de Jesus Silva

Professor • Pesquisador • Gestão, Cooperativismo e Educação Financeira

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