EFEITOS DAS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO DO INCONSCIENTE COLETIVO EM ESTUDANTES DE CONTABILIDADE

Para Jung (1936) ¹, os indivíduos possuem um inconsciente que pode influenciar as suas decisões. A Psicologia Analítica de Jung pode esclarecer diversas decisões ou escolhas realizadas por profissionais contábeis, como o fato de se observar um acentuado descompasso entre a teoria e a prática relacionada ao uso de artefatos tradicionais ou modernos de contabilidade e o baixo grau de implementação de práticas gerenciais 2.

Neste sentido, este estudo busca compreender as razões que podem levar determinados indivíduos a persistirem com a aceitação de convicções mesmo quando são comprovadas ineficazes. O papel do ensino em contabilidade é importante na mudança de comportamento, visto que estimula a reflexão dos alunos ³

A metacognição reconhece que a aprendizagem implica em tornar o aluno autônomo, independente e, portanto, responsável por sua formação acadêmica 4. Neste sentido, se caso o aluno desenvolve durante o contexto educativo a pensar com “voz própria”, característica da utilização das estratégias de aprendizagem, este indivíduo reflete e não pode aceitar práticas/conceitos contábeis que já foram comprovadas como inadequadas.

Resumindo a história

O objetivo deste estudo consiste em investigar o inconsciente de diferentes grupos de alunos quanto a aceitação dos métodos de custeio variável e absorção, observando-se os potenciais efeitos do nível de estratégias metacognitivas de aprendizagem autorregulada utilizadas pelos 186 alunos de Ciências Contábeis de três IES do Estado de Santa Catarina/Brasil. As instituições pesquisadas foram selecionadas por possuírem programas de pós-graduação stricto sensu, sendo o docente responsável pela disciplina de contabilidade de custos vinculado ao mesmo.

Os resultados são condizentes a afirmação do Jung (1936) quanto as concepções teóricas da psicologia analítica, que afirma que a reflexão é fundamental para que os indivíduos reavaliem conscientemente tudo o que eles têm aceitado inconscientemente, com vistas a mudar seu comportamento. A formação docente contribuiu para que, em todos os casos, as médias relacionadas as diferentes concepções dos alunos aumentassem, indicando maior aderência aos preceitos do custeio variável após o curso da disciplina de contabilidade de custos, o que não foi observado entre todos os discentes participantes da pesquisa.

Esta mudança também não foi percebida de maneira uniforme no grupo de estudantes que já possui experiência profissional na área contábil. O resultado sugere a existência de um tipo específico de inconsciente coletivo relacionado ao uso de sistemas de contabilidade baseados na contabilidade financeira.

Contribuição para o campo prático

A evolução na escala educativa influencia a mudança nas concepções da maioria dos alunos nos três casos analisados, inclusive em parte daqueles que possuem um inconsciente específico relacionado ao uso de sistemas de contabilidade financeira, sendo as estratégias de repetição e memorização, estrutura ambiental e de tomada de apontamentos as que melhor discriminam tais diferenças.

As evidências encontradas nesta pesquisa sugerem que a atuação de docentes pesquisadores, com formação em nível de doutorado, parece contribuir de maneira mais eficaz para a compreensão das diferenças entre tais conceitos, bem como suas limitações e potenciais contribuições quanto ao uso destes métodos para fins gerenciais.

*A pesquisa é fruto da colaboração entre Vinicius Costa Da Silva Zonatto, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Patrinês Aparecida França Zonatto, Professora da Universidade Franciscana (UFN); e Jéssica Andressa Krauss, graduada em Ciências Contábeis pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB)*

*O artigo resultante da pesquisa foi publicado na Revista Gestão Organizacional (RGO). Se você tiver alguma dúvida sobre a publicação, não hesite em nos contatar.*
Link: https://bell.unochapeco.edu.br/revistas/index.php/rgo/article/view/5356

REFERÊNCIAS

1 – JUNG, C. G. The concept of the collective unconscious. Collected works, v. 9, n.1, p. 42. 1936.

2 – GUERREIRO, R.; CORNACHIONE JR, E. B.; SOUTES, D. O. A utilização de artefatos modernos de contabilidade gerencial por empresas brasileiras. Revista Contabilidade & Finanças-USP, v. 22, n. 55, p. 5-22, 2011.

3 – SILVA, T. B. J.; LAY, L. A.; BIAVATTI, V. T.; HEIN, N.; ZONATTO, V. C. S. As Estratégia de Aprendizagem Autorregulada (SRL) no Ensino EAD de Contabilidade. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade (REPeC), v. 11, n. 1, art. 5, p. 90-109, jan./mar, 2017.

4 – SILVA, T. B. J.; LAY, L. A.; PAMPLONA, E.; ZONATTO, V. C. S. Inconsciente coletivo no conhecimento de contabilidade de custos: uma abordagem a partir da Psicologia Analítica de Jung e os métodos de custeio variável e por absorção. Enfoque: Reflexão Contábil, v. 34, n.2, p. 123-142, 2015.

Publicado por Thiago Bruno de Jesus Silva

Professor • Pesquisador • Gestão, Cooperativismo e Educação Financeira

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