CLUBE-EMPRESA: O FUTURO DO FUTEBOL BRASILEIRO?

Tivemos um artigo publicado no site da empresa de consultoria e assessoria de gestão GoalManage.

O artigo aborda a discussão que caminha no Senado Federal sobre o modelo de sociedade dos clubes de futebol. No caso, estabelece condições para criação do clube-empresa.

O artigo pode ser acessado por este link: https://www.goalmanage.com/br/news/clube-empresa-o-futuro-do-futebol-brasileiro

DECLARAÇÃO AO COAF E A POSTURA ÉTICA FRENTE AOS DILEMAS DA PROFISSÃO DE CONTABILIDADE

Os profissionais da contabilidade e empresas contábeis terão a incumbência de entregar, de forma obrigatória, a Declaração Anual Negativa ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) até o dia 31 de janeiro de 2020. Essa declaração visa a prevenção e o combate da lavagem de dinheiro e ao financiamento ao terrorismo. Vale destacar que se deve comunicar as operações suspeitas praticadas independente do regime tributário das empresas (clientes).

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que regulamenta a aplicação da Lei nº 9.318/1998 por meio da resolução CFC nº 1.530/2017. A Lei estabelece que os órgãos reguladores e as autoridades competentes, nas quais se incluem os conselhos de profissão regulamentada, devem disciplinar os procedimentos no atendimento à Lei.

Ao longo dos últimos anos, é evidente o aumento de discussões sobre questões éticas, sobretudo na área contábil. A falta de regras morais apresenta consequências negativas, tanto para o profissional, quanto para o cliente e a sociedade, visto que qualquer informação inidônea pode conduzir sérios problemas econômicos e sociais.

Dessa forma, a formação dos estudantes, futuros profissionais, deve ser fundamentada em preceitos éticos rigorosos, que lhes confiram diretrizes de atuação formais, como as oferecidas pelo Código de Ética do Profissional Contábil.

Nesse contexto, publicamos uma pesquisa que teve o objetivo de analisar a visão dos estudantes de contabilidade, de acordo com suas características individuais e acadêmicas (situacionais), diante de dilemas éticos da profissão. O estudo contemplou a percepção de 504 alunos de vários estados brasileiros (SC, PR, RS, BA, SP).

Como resultado, os estudantes que já atuaram em áreas que exigem conhecimentos advindos da contabilidade oferece melhor percepção sobre a disposição em orientar seus clientes para que paguem integralmente os impostos, de não aceitar propina advinda de menor percentual aplicado na produção da atividade operacional do negócio, não assinar relatórios contábeis sem a devida supervisão e de efetuar o pagamento correto dos impostos de clientes que lhe repassaram tais recursos.

Verificou-se que os estudantes que já cursaram a disciplina de ética contábil indicaram mudanças de atitude. Esse resultado demonstra a relevância desse componente curricular na formação profissional.

Outros resultados vinculados ao gênero, idade, tipologia da instituição, titulação do professor, discussão do código de ética e ter cursado outro curso de graduação são encontrados no artigo acadêmico publicado na Revista Vista & Revista. Pode ser acessado de forma gratuita por meio deste link:
https://revistas.face.ufmg.br/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/3629

Em linhas gerais, os resultados são animadores e vão ao encontro dos interesses do Coaf na busca de participação e contribuição do profissional contábil no combate da lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Com a pesquisa, pode-se concluir sobre o papel fundamental da educação em moldar a percepção, de modo a formar contadores com uma postura mais ética frente aos dilemas da profissão.

A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Cristian Baú Dal Magro, Professor do programa de pós-graduação em Ciências Contábeis e Administração da Unochapecó; e Vinicius Costa da Silva Zonatto, Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e coordenador substituto do curso de Ciências Contábeis.

COMO O CLUBE DE FUTEBOL PODE CONTRIBUIR COM O RECONHECIMENTO DA MARCA DO PATROCINADOR

O amor pelo futebol é um sentimento enraizado no povo brasileiro. O sentimento é refletido na aquisição, de forma assídua, de produtos vinculados aos clubes. Nesse contexto, as empresas ligadas aos produtos esportivos buscam atrair esse público por meio de patrocínio. Esse patrocínio (investimento) tem como objetivo o reconhecimento de sua marca (recall).

Dessa forma, um estudo recente buscou identificar a relação do recall do patrocínio master nos fatores explicativos para o consumo de bens e serviços do Esporte Clube Vitória. A intenção foi perceber se o reconhecimento da marca se torna mais efetivo pelo estímulo em razão de títulos. Outro importante propósito era auxiliar na determinação de características pessoais dos torcedores que explicam o seu hábito de consumo.

Os dados foram coletados por meio da plataforma Google Docs entre os meses de dezembro de 2017e julho de 2018. O link foi enviado pelas redes sociais Facebook e WhatsApp. No Facebook, solicitou-se auxílio para a divulgação aos proprietários de grupos de torcedores ligados ao clube e para a página de jornalismo Correio Ba-Vi. No WhatsApp, solicitou-se o subsídio de jornalistas (setoristas ligados ao clube) para a divulgação em suas listas de transmissão. Desse modo, obtiveram-se 746 respondentes.

Como resultado, as características pessoais que explicam o hábito de consumo dos torcedores foram: Praticar esportes, acompanhar as discussões e reportagens antes ou depois dos jogos, ficar chateado ou irritado no dia seguinte ao jogo, influenciam o potencial de consumo dos torcedores pelos produtos e serviços do clube de futebol.

Verificou-se, também, que a propensão dos torcedores em se tornarem clientes em potencial é maior quando estes não nasceram em Salvador/Ba, bem como sócio-torcedor, membros de torcida organizada e praticantes de esporte.

Concluiu-se que o recall do patrocínio master se torna mais efetivo pelo estímulo. Por conta dos títulos do campeonato baiano, estimulou a lembrança do patrocinador master do clube (na época, empresa OAS e da Caixa Econômica Federal) entre os torcedores. O título conduz, também, o grau de envolvimento com o clube e o consumo dos produtos e serviços.

Os frutos da pesquisa podem ser variados e favorecer empresas que patrocinam clubes e os próprios clubes. Para as empresas, percebe-se que quanto maior o estímulo, por exemplo, o título de um campeonato, maior será a capacidade de retenção e comunicação da marca com os torcedores. Para clubes, oferece oportunidade para que amplie ações com a intenção de explorar seu público e reflexão para almejar ser campeão, o que contribui com o seu patrocinador.

*O artigo resultante da pesquisa foi publicado na Revista de Administração, Contabilidade e Economia. Pode ser acessado na integra por meio desse link: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/race/article/view/18876/12274

Adicionalmente, vale destacar, que as ações afirmativas favorecem o recall das empresas e o poder de barganha do clube em momento de negociação dos contratos do patrocínio (pela visibilidade, fortalecimento e valorização da marca). Ao reconhecer que o clube não é monotemático, as ações afirmativas podem ganhar destaque em âmbito nacional e internacional, o que tem efeito (in) direto para ambos por conta de retenção e comunicação da marca.

*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Contabilidade da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Luís Antonio Lay, Mestre em Contabilidade pela Universidade Federal de Blumenau (FURB), Cristian Baú Dal Magro, Professor do programa de pós-graduação em Ciências Contábeis e Administração da Unochapecó; Denise Isabel Rizzi, Doutoranda em Contabilidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Rafael Ferla, Professor do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Rita.