RELAÇÃO DA UTILIDADE DO ORÇAMENTO NO EMPODERAMENTO E NA CRIATIVIDADE

O orçamento é um dos mecanismos de coordenação e controle mais importante das organizações¹. As utilidades do orçamento² são descritas para o (1) planejamento (planejamento, coordenação, alocação de recursos e determinação dos volumes operacionais) e para o (2) diálogo (comunicação, criação de consciência e motivação). Nesse contexto, o orçamento envolve o controle que visa o alcance das metas como também pela busca de novas oportunidades³.

Entende-se, assim, que esse controle gerencial pode ser útil para o controle e a criatividade4. Dessa forma, torna-se importante em como o controle é percebido pelos funcionários. O resultado, como motivação e criatividade intrínseca, depende do controle ser visto como comunicação de limites, de informações necessárias e que os funcionários acreditem ter escolhas em suas ações5.

Essas utilidades do orçamento fornecem limite ao comportamento inadequado ao estabelecer metas e expectativas claras, monitora e oferece o feedback, bem como possibilita autonomia ao permitir aos funcionários liberdade de escolha na seleção de seus cursos de ação6. Nessas circunstâncias, objetivamos analisar a relação entre o nível de utilidade percebida do orçamento no empoderamento e na criatividade de gestores de organizações da área de tecnologia de informação.

Desse modo, levantamos três hipóteses: maior nível de utilidade do orçamento impacta positiva e significativamente no empoderamento; maior nível de utilidade do orçamento impacta positiva e significativamente na criatividade; e o empoderamento impacta positiva e significativamente na criatividade. A amostra foi não probabilística por acessibilidade, das 100 respostas recebidas de gestores pertencentes a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação – ASSESPRO.

Todas as hipóteses não foram rejeitadas. Dessa forma, maior nível de utilidade que o orçamento tem na organização, impacta de forma positiva e significativamente, no empoderamento e na criatividade dos funcionários. Nessas circunstâncias, as múltiplas utilidades do orçamento podem criar ambiente de trabalho que os funcionários necessitam para serem criativos.

Conclui-se que os funcionários podem perceber o maior nível de utilidade do orçamento como mais liberdade em vez de maiores restrições. Isto é ligado ao fato de fornecer motivação intrínseca e comportamento autorregulado, em oposição à um ambiente caracterizado como “controlador”.

*O artigo resultante da pesquisa foi publicado na Revista Contemporânea de Economia e Gestão. Poderá ser acessado na integra por meio do link: http://periodicos.ufc.br/contextus/article/view/43566/100477

*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina*

REFERÊNCIAS

1 – Arnold, M., & Artz, M. (2019). The use of a single budget or separate budgets for planning and performance evaluation. Accounting, organizations and society, 73, 50-67.

2 – Ekholm, B. G., & Wallin, J. (2011). The impact of uncertainty and strategy on the perceived usefulness of fixed and flexible budgets. Journal of Business Finance & Accounting, 38(1‐2), 145-164.

3 – Arnold, M. C., & Gillenkirch, R. M. (2015). Using negotiated budgets for planning and performance evaluation: an experimental study. Accounting, organizations and society, 43, 1-16.

4 – Janka, M., & Guenther, T. W. (2018). Management control of new product development and perceived environmental uncertainty: Exploring heterogeneity using a finite mixture approach. Journal of Management Accounting Research, 30(2), 131-161.

5 – Cools, M., Stouthuysen, K., & Van den Abbeele, A. (2017). Management control for stimulating different types of creativity: The role of budgets. Journal of Management Accounting Research, 29(3), 1-21.

6 – Chen, C. X. (2017). Management control for stimulating different types of creativity: The role of budgets. Journal of Management Accounting Research, 29(3), 23-26.

5 DICAS DE REDUÇÃO DE GASTOS PARA SUA EMPRESA ENFRENTAR A CRISE DO CORONAVÍRUS

Devido a crise causada pela Pandemia do Coronavírus e as medidas de enfrentamento para combatê-la, sobretudo a que trata do distanciamento social, tornou-se comum o volume de venda cair significativamente. Nesse cenário, reduzir gastos é importante para sobrevivência da sua empresa.

Dessa forma, traçamos 5 dicas de redução de gastos para auxiliar o seu negócio enfrentar a crise:

1 – Ter o conhecimento de cada centavo que sai do caixa

A primeira dica é saber o destino do dinheiro da empresa para estabelecer o ponto de equilíbrio financeiro. Assim, faça uma relação de todos os gastos, separe entre custos e despesas, fixas e variáveis. Isso deixa mais fácil visualizar o que pode ser mudado e impor metas para diminuir os gastos. Dessa forma, a empresa pode criar metas e limites para cada gasto, monitorar o que foi orçado e executado, por exemplo.

2 – Envolva a sua equipe

Sabendo-se que é difícil diminuir os gastos sem auxílio do seu time, faça reuniões e explique a necessidade de mudança, minimização dos custos com a ajuda de todos. Pequenas ações como reduzir documentos impressos, desligar as luzes e alguns equipamentos em horário de almoço, como ar-condicionado, que é um vilão de consumo de energia e agente de disseminação do vírus COVID-19. Dê preferência para janelas abertas ou atividades que possam ser realizadas em Home-Office, com redução de diversos custos, de locomoção e despesas administrativas do local de trabalho.

Demonstre a importância de cada um no processo. É um momento, também, para escutar a sua equipe. Na maioria das vezes, a equipe tem ideias excelentes e que podem ser implementadas com a intenção de redução dos gastos.

3 – Envolva os seus fornecedores

É normal que após tempo de relação, a empresa se acostume a comprar com determinado fornecedor, mas é importante solicitar outros orçamentos para análise, visto que os preços de compra podem variar bastante, além de ser uma oportunidade de encontrar produtos similares com preços melhores. Certifique-se que esse produto não é inferior em questão de qualidade e procure renegociar os valores com seu atual fornecedor antes de fazer pedido com um novo fornecedor.

Além disso, estruture o seu processo de compra, definindo um responsável e criando indicadores para monitorar a eficiência do processo de compras da empresa.

4 – Corte de pequenos gastos

Na quarta dica, analise os contratos de telefonia e internet, verifique se está de acordo com a necessidade e demanda da empresa. Muitas vezes, as empresas cobram por serviços que não fazemos uso. Dessa forma, é importante revisar quais as reais necessidades telefônicas de sua empresa para definir o plano ou pacote mais adequado. Com esses dados nas mãos, pesquise outros planos, compare com outras prestadoras de serviços e peça orçamentos para fazer melhor estudo.

Outro ponto é a questão das tarifas do banco, que, de igual modo, é preciso analisar se o seu pacote de serviços e as tarifas estão de acordo com sua necessidade, podendo inclusive verificar valores cobrados por outros bancos. Vale, inclusive, considerar a possibilidade de usar bancos digitais, os quais têm gratuidade de taxas diversas.

5 – Análise do regime tributário

Por fim, uma vez por ano, faça o planejamento econômico e tributário da empresa com o seu contador, analisando se o atual regime tributário é a melhor opção e a mais adequada para o porte de seu negócio.

Nessa crise, aprenda que não se pode gerenciar o seu negócio na base do impulso e que você deve discutir com o seu Contador sobre a necessidade de ter informações contábeis que auxilie na tomada de decisões.

Coloco-me a disposição, de forma virtual, para tentar auxiliar você, pequeno empresário, a enfrentar a crise do coronavírus quanto a gestão financeira. O meu e-mail institucional é: thiagobsilva@ufgd.edu.br.

Esse texto teve o auxílio da Professora Elise Soerger Zaro (UFGD) e do Professor Cristian Baú Dal Magro (Unochapecó).

**Estas orientações fazem parte do Projeto de Extensão Dicas de gestão financeira para sua empresa enfrentar a crise do Coronavírus, cujo o objetivo é motivar os empresários dos pequenos negócios a enfrentar a crise causada pela pandemia do coronavírus e orientar, de forma virtual, sobre dicas de gestão de negócios que podem auxiliar nesse momento extraordinário.**

Referências e Mais Informações:

hhttps://blog.sigecloud.com.br/7-dicas-para-sua-empresa-enfrentar-a-crise-financeira-do-coronavirus/
https://portal.ufgd.edu.br/setor/assessoria-comunicacao/informe/covid-19-5-dicas-para-sua-empresa-enfrentar-a-crise
https://m.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/gestao-financeira-em-tempos-de-crise,af7868e2ce8f0710VgnVCM1000004c00210aRCRD

UTILIDADE DO ORÇAMENTO EM COOPERATIVAS DO AGRONEGÓCIO

Segundo os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o agronegócio teve representatividade de 21,46% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no ano de 2015. Diante deste cenário, as cooperativas agropecuárias obtiveram em seus respectivos faturamentos relevantes sobras a serem destinadas aos associados, que representam quase 1 milhão de acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB, 2016).

Para manter este nível de competitividade, o uso do controle gerencial oferece eficiência na gestão dessas cooperativas do agronegócio. Entre os diversos controles gerenciais, o orçamento é amplamente útil em organizações de vários portes, setores e regiões do mundo, que preparam seus orçamentos para gerenciar de forma efetiva seus recursos (ARNOLD; GILLENKIRCH, 2015; LIDIA, 2015).

O orçamento é definido como um conjunto prospectivo de números que projeta o desempenho financeiro futuro e que serve para avaliar a viabilidade financeira da estratégia escolhida ou decidir se são necessárias alterações no plano geral. Ekholm e Wallin (2011) apresentam duas principais utilidades para o orçamento: (a) função de planejamento (planejar, coordenar, alocar de recursos e determinar volumes operacionais) e (b) função de diálogo (comunicar, criar de consciência e motivar).

Neste contexto, o estudo objetiva identificar as utilidades do orçamento adotadas em cooperativas do agronegócio e verificar como essas utilidades podem ser explicadas pelo comportamento estratégico e pelo seu tamanho. A amostra compreendeu gestores de 50 cooperativas agroindustriais do setor lácteo da região sul do Brasil. Os dados das cooperativas foram obtidos por meio do site de cada Sindileite e analisados mediante survey.

Os resultados indicam que o orçamento é útil para os gestores das cooperativas agroindustriais, visto que as utilidades adotadas estão acima do ponto médio da escala apresentada. Verifica-se que os gestores percebem como as mais importantes (maiores médias) a coordenação das unidades, a determinação de volumes operacionais e a motivação do pessoal. Os achados também apontam que as utilidades do orçamento podem ser explicadas pelo comportamento estratégico e pelo tamanho da cooperativa.

Quanto ao comportamento estratégico, cooperativas que estão envolvidas em um ambiente mais dinâmico e que se empenham na busca constante por inovação, novos produtos e oportunidades de mercado (comportamento estratégico prospector), apresentam mais utilidades do orçamento em relação àquelas que possuem outras estratégias (defensora, analisadora e reatora). Sobre o tamanho, nota-se que as maiores cooperativas possuem mais utilidades do orçamento que as médias, pequenas e micro.

*O artigo acadêmico resultante da pesquisa foi publicado na Revista de Administração da Unimep (RAU). Poderá ser acessado na integra por meio do link: http://www.raunimep.com.br/ojs/index.php/rau

*A pesquisa é fruto da colaboração entre Thiago Bruno de Jesus Silva, Professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Cristian Baú Dal Magro, Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis e Administração da Unochapecó; Marília Paranaíba Ferreira, Doutoranda em Contabilidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Carlos Eduardo Facin Lavarda, Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina*

REFERÊNCIAS

Arnold, M. C., & Gillenkirch, R. M. (2015). Using negotiated budgets for planning and performance evaluation: an experimental study. Accounting, organizations and society43, 1-16.

Brasil. Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Estatísticas. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/vegetal/estatisticas. Acesso em: 10 jun. 2019.

Ekholm, B. G., & Wallin, J. (2011). The impact of uncertainty and strategy on the perceived usefulness of fixed and flexible budgets. Journal of Business Finance & Accounting38(1‐2), 145-164.

Lidia, T. G. (2015). An analysis of the existence of a link between budgets and performance in economic entities. Procedia Economics and Finance32, 1794-1803.

OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras Relatório de atividades. Disponível em http:\www.ocb.org.br. Acesso em 10 de Junho de 2019.