O comportamento estratégico e o desempenho econômico-financeiro das empresas do agronegócio

A cadeia do agronegócio compreende a uma das maiores no contexto global e passa por evoluções como, por exemplo, a industrialização agrícola e a abertura comercial entre países e blocos econômicos. Esta cadeia também apresentou elevado crescimento nos últimos anos, em que no início da década de 2010, a empresa de análise de mercado Lucintel Publisher Sample já apontava crescimento acima da média no que se refere ao comércio mundial, sobretudo, entre 2013 e 2018.

Devido a este contexto global e atenção de diferentes organismos multilaterais, as empresas devem traçar estratégias para que se mantenha competitiva em uma cadeia que abrange um contexto global. Para isso, podem adotar diferentes estratégias para que se mantenham competitivas em um mercado com alto nível de concorrência entre as companhias do mesmo país, assim como, entre companhias de diferentes países.

Essas diferentes estratégias são descritas por meio dos pesquisadores Miles e Snow (1978) e Porter (1980). Esses pesquisadores descrevem que o comportamento estratégico tem diferentes tipos e podem ser adotados pelas empresas com a finalidade de alcançar maior desempenho econômico-financeiro e ter continuidade em um mercado. Nesse sentido, realizamos um estudo com o propósito de analisar a relação do comportamento estratégico no desempenho econômico-financeiro das empresas do agronegócio que negociam ações no Brasil, Bolsa, Balcão (B3).

A partir deste propósito, identificamos 23 (vinte e três) empresas que pertencem à cadeia do agronegócio. Entretanto, 5 (cinco) destas foram excluídas da pesquisa, pois não continham todas as informações necessárias para a análise. Assim, a pesquisa compreendeu 18 empresas no período de 2013 a 2017.

Os resultados apontaram que as empresas que estão envolvidas em um ambiente mais dinâmico e que se empenham na busca constante de inovação, novos produtos e oportunidades de mercado [comportamento estratégico prospector], apresentam maiores índices de liquidez geral. Por outro lado, as empresas que mantêm um ambiente estável, por meio da produção de apenas um conjunto de produtos direcionados a um segmento estreito do mercado e seu sucesso deriva da forma como servem eficientemente este mercado [comportamento estratégico defensor], são de menor porte.

Ao considerar o comportamento estratégico apresentado por Porter (1980), concluímos que empresas que almejam a diferenciação [apresentam produtos exclusivos e que é uma forma de se diferenciar dos seus concorrentes], possuem maior liquidez geral do que as que adotam o comportamento de líder em custos [busca incessante por eficiência produtiva com a finalidade de propiciar ao cliente o acesso a produtos com menores preços]. Ao analisar as empresas que possuem o comportamento estratégico híbrido [combina elementos de diferenciação e liderança em custo], estas possuem alto índice de liquidez, bem como maiores índices de rentabilidade do ativo. Constatou-se, também, que estas companhias têm menor porte.

Nesse contexto, entende-se que as empresas menores podem utilizar mais de uma estratégia para o seu desenvolvimento no mercado na cadeia do agronegócio. Dessa forma, entendemos que o uso conjunto e complementar de estratégias é benéfico, uma vez que atingem maiores níveis de rentabilidade. Esse resultado pode ser visto com bons olhos pelos investidores, uma vez que maior rentabilidade propicia aumento no valor da distribuição de dividendos no fechamento dos períodos trimestrais. Ainda, estes investidores podem obter ganhos com o aumento da ação, pois esse tipo de comportamento estratégico pode implicar em um aumento da demanda pela compra de ações, devido a expectativa de rentabilidade que é maior do que as companhias que adotam apenas um tipo de comportamento estratégico.

Outros resultados podem ser acessados de forma gratuita por meio deste link: http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/EeN/article/view/7315/pdf

** Este artigo teve a colaboração do Allison Manoel de Sousa, Doutorando em Contabilidade pela Fundação Universidade Federal do Paraná (UFPR)**

CORONAVÍRUS E A OPORTUNIDADE PARA O LUCRO REAL VIRAR A BOLA DA VEZ

A crise mundial, ocasionada pelo novo coronavírus, obriga as empresas a buscarem alternativas para reduzir custos e a experimentar novas oportunidades. Nesse sentido, migrar de regime tributário tem sido uma das formas de gestão fiscal utilizada para diminuir a carga tributária.

Uma opção para diminuir as perdas devido a Covid-19, é mudar do regime de tributação de Lucro Presumido, ou mesmo do Simples Nacional, para o Lucro Real. A apuração pelo regime do Lucro Real tem sido bastante recomendada nesse momento de margens baixas e prováveis prejuízos.

As vantagens em adotar este regime, como base de cálculo para o pagamento de tributos, se aplica também as pequenas e médias empresas. A opção pelo Lucro Real pode ser utilizada por empresas de todos os portes e segmentos, inclusive para quem está no Simples Nacional.

A migração pode garantir uma tributação muito inferior, considerando ainda os potenciais benefícios fiscais e diversas oportunidades advindas pela crise da pandemia. Destacamos ainda, que a pandemia tem gerado demandas judiciais que beneficiam apenas empresas do Lucro Real. 

Advertimos que o regime do Lucro Real, por ser mais complexo, exige uma gestão financeira e documental mais rigorosa. Adotar esse regime deve ser encarado como uma oportunidade para reorganizar a empresa, ao ter em vista que os registros contábeis, geralmente, apresentam falhas informacionais pelos regimes do Lucro Presumido ou Simples Nacional.

Isso ocorre porque o Lucro Real, diferente dos demais regimes tributários, leva em conta a situação real da empresa, e não o que ela presume que venha a ser, o que torna justo o valor a ser pago em tributos. Além disso, a opção pelo Lucro Real, oferece uma série de vantagens, como por exemplo:

Depreciações, amortizações e juros fazer diminuir a incidência de tributos;

São aproveitados, nesse regime, créditos de PIS e do COFINS, entre outros benefícios de ordem tributária;

É possível remunerar os sócios a títulos de juros sobre o capital próprio, o que permite reduzir a carga tributária sobre os lucros;

Caso haja prejuízos fiscais, não há tributação de IRPJ e CSLL, que por outro lado, são pagos sempre no lucro presumido e no simples nacional;

Pode optar pela apuração do lucro trimestral ou anual, acumulando prejuízos para compensar com momentos em que vier a ter lucro.

Pode despertar o interesse na empresa para o planejamento tributário, o que vai permitir o estudo detalhado para diminuir os custos fiscais.

Por outro lado, embora em muitas situações a opção possa ser vantajosa, cada caso precisa ser analisado com bastante critério, o que é necessário o auxílio por parte do seu Contador e de um Advogado Tributarista. Além disso, a migração de regime precisa ser feita no início de cada ano fiscal, mediante o primeiro recolhimento do imposto de renda da pessoa jurídica, que ocorre até 30 de abril de cada ano.

Por
Cristian Baú Dal Magro
Doutor em Ciências Contábeis e Administração (FURB)
Professor do Departamento de Contabilidade da Unochapecó
Sócio Diretor do Grupo Contamais Serviços Contábeis

Thiago Bruno de Jesus Silva
Doutorando em Contabilidade (UFSC)
Professor do Departamento de Contabilidade da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

5 DICAS DE GESTÃO FINANCEIRA PARA SUA EMPRESA ENFRENTAR A CRISE DO CORONAVÍRUS

Tivemos um artigo publicado no site da UFGD. No texto, traçamos 5 dicas de gestão financeira para o pequeno negócio enfrentar a crise do novo Coronavírus.

Esse foi o primeiro artigo do Projeto de Extensão Dicas de gestão financeira para sua empresa enfrentar a crise do novo coronavírus, no qual participa Professores e Alunos da FACE/UFGD.

Link: https://portal.ufgd.edu.br/setor/assessoria-comunicacao/informe/covid-19-5-dicas-para-sua-empresa-enfrentar-a-crise